Câncer de mama e coração: cuidados durante o tratamento

Câncer de mama e coração podem parecer assuntos completamente separados.

Quando você recebe um diagnóstico de câncer, é natural que sua atenção esteja voltada para o tratamento da doença. Mas, em algumas situações, o coração também merece entrar nessa conversa. Isso acontece porque determinados tratamentos oncológicos podem ter efeitos sobre o sistema cardiovascular.

Além disso, cada mulher chega ao tratamento com uma história de saúde diferente. Por isso, conhecer sua condição cardiovascular pode ajudar a equipe a tomar decisões mais individualizadas antes, durante e, quando necessário, depois do tratamento.

A ideia não é criar mais uma preocupação. É entender que cuidar do coração também pode fazer parte de um tratamento oncológico bem acompanhado.

Câncer de mama e coração: qual é a relação?

A relação entre câncer de mama e coração não significa que toda mulher com câncer terá um problema cardiovascular. Também não significa que todo tratamento prejudicará o coração. O ponto é outro.

Alguns tratamentos utilizados contra o câncer podem exigir atenção aos possíveis efeitos cardiovasculares. Ao mesmo tempo, condições que já existiam antes do diagnóstico também precisam ser consideradas.

Hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou uma doença cardíaca anterior, por exemplo, podem fazer parte dessa avaliação. Por isso, olhar para a saúde cardiovascular ajuda a enxergar você como um todo, e não apenas o tumor.

Por que alguns tratamentos podem exigir atenção ao coração?

O tratamento do câncer de mama não é igual para todas as mulheres. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal e medicamentos direcionados a características específicas do tumor podem fazer parte do tratamento, conforme cada caso.

Algumas terapias podem exigir monitoramento cardiovascular específico.

Um exemplo é o trastuzumabe, utilizado em determinados tumores HER2 positivos. O protocolo brasileiro para câncer de mama prevê acompanhamento da função cardíaca durante seu uso.

Isso não significa que você terá uma complicação cardíaca se utilizar esse medicamento. Significa justamente que acompanhar permite identificar alterações e tomar decisões de acordo com sua situação individual.

O que é cardio-oncologia?

É aqui que entra um termo que talvez você nunca tenha ouvido: cardio-oncologia.

De forma simples, é uma área que aproxima cardiologia e oncologia. O objetivo é cuidar da saúde cardiovascular de pessoas com câncer quando existe necessidade desse acompanhamento.

Oncologista e cardiologista não estão cuidando de problemas concorrentes. Eles podem trabalhar de maneira complementar para que o tratamento do câncer considere também a condição cardiovascular da paciente.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) explica essa integração nesse PDF: Tratar o câncer e preservar o coração, mostrando justamente como cardiologia e oncologia podem atuar de forma integrada.

Quem pode precisar de mais atenção cardiovascular?

Não existe uma resposta única. O risco depende tanto do tratamento oncológico quanto das características de cada pessoa.

Por isso, a equipe pode considerar fatores como:

  • histórico de doença cardiovascular;
  • pressão alta;
  • diabetes;
  • colesterol elevado;
  • idade;
  • hábitos de vida;
  • tipo de tratamento oncológico;
  • combinação de diferentes terapias.

Esses fatores não significam que você terá um problema no coração. Eles ajudam a equipe a entender quanto acompanhamento pode ser necessário para o seu caso.

Essa avaliação ganha ainda mais importância porque a saúde cardiovascular feminina também muda ao longo da vida.

Se você passou dos 40 anos, vale a pena ler nosso artigo o que muda no coração feminino após os 40 anos.

A saúde cardiovascular da mulher merece atenção em diferentes fases da vida. Idade, histórico de saúde e outros fatores podem modificar o risco cardiovascular ao longo dos anos.

E para quem acha que só deve procurar um cardiologista ao sentir algum sintoma, assista ao vídeo que nossa cardiologista, Dra. Maria do Carmo Orge, comenta sobre a importância da prevenção para identificar os riscos antes que eles se tornem um problema.

Conhecer seus fatores de risco e conversar com os profissionais que acompanham você ajuda a entender quais cuidados fazem sentido para o seu momento.

Por que avaliar o coração antes, durante e depois do tratamento?

Pense na avaliação cardiovascular como uma forma de conhecer seu ponto de partida.

Dependendo do tratamento e do seu histórico, a equipe pode precisar saber como seu coração está antes de começar determinada terapia.

Durante o tratamento, o acompanhamento pode ajudar a perceber alterações que mereçam atenção. Em situações específicas, isso inclui exames para avaliar a função cardíaca. O protocolo brasileiro de câncer de mama, por exemplo, estabelece monitoramento com ecocardiograma para determinados tratamentos.

Depois do tratamento, a necessidade de acompanhamento também varia. Algumas mulheres podem precisar continuar sendo acompanhadas. Outras não terão a mesma necessidade.

Por isso, não existe um calendário cardiovascular único para todas as pacientes com câncer de mama.

Qual é o papel do cardiologista durante o tratamento do câncer?

O cardiologista não substitui o oncologista. Seu papel é avaliar e acompanhar a saúde cardiovascular quando isso for necessário. Ele pode analisar seu histórico, fatores de risco, sintomas e exames.

A partir dessas informações, pode contribuir para o cuidado conjunto com a equipe responsável pelo tratamento oncológico. Esse trabalho multidisciplinar é importante porque a prioridade continua sendo tratar o câncer.

O cuidado cardiovascular entra para ajudar a tornar essa jornada mais completa quando houver indicação.

Quando conversar sobre uma avaliação cardiovascular?

Você não precisa esperar aparecer um problema para conversar sobre seu coração.

Se você está em tratamento para câncer de mama, pode perguntar à própria equipe oncológica se o tratamento previsto exige avaliação ou acompanhamento cardiovascular.

Essa conversa é especialmente relevante se você já apresenta fatores de risco ou histórico de doença cardíaca. Também informe sua equipe se perceber sintomas novos durante o tratamento.

Falta de ar, dor ou desconforto no peito, palpitações, inchaço ou uma mudança importante na tolerância aos esforços merecem ser relatados. Esses sintomas podem ter diferentes causas.

Por isso, não tente interpretá-los sozinha nem interrompa o tratamento oncológico por conta própria.

Cuidar do câncer também pode significar cuidar do coração

Quando falamos de câncer de mama e coração, a mensagem mais importante não é que você precisa se preocupar com duas doenças ao mesmo tempo. É que seu cuidado pode precisar olhar para diferentes aspectos da sua saúde.

Dependendo do tratamento, do seu histórico e dos seus fatores de risco, uma avaliação cardiovascular pode fazer parte desse caminho.

Se você está em tratamento ou acompanhamento oncológico, converse com sua equipe sobre a necessidade de avaliar também sua saúde cardiovascular.

Na Cardioprev, você conta com consulta cardiológica e exames cardiovasculares no mesmo local, facilitando a investigação e o acompanhamento quando houver indicação.

Conheça nosso corpo clínico e encontre o profissional adequado para sua avaliação.

Cuidar do coração durante essa jornada não significa desviar a atenção do tratamento do câncer. Significa cuidar de você de forma mais completa.

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