Saúde mental e coração: estresse e ansiedade podem fazer mal?

Saúde mental e coração estão mais conectados do que muita gente imagina. Quando você passa por uma situação de estresse ou ansiedade, seu corpo não reage apenas “na cabeça”. Ele reage inteiro:

· o coração pode acelerar;

· a respiração pode mudar;

· a pressão pode subir;

· o sono pode piorar.

E quando isso acontece uma vez ou outra, geralmente faz parte da resposta natural do organismo. O problema começa quando esse estado vira rotina.

Por isso, a pergunta é importante: estresse e ansiedade podem fazer mal ao coração?

Podem, especialmente quando são frequentes, intensos ou aparecem junto com outros fatores de risco, como pressão alta, colesterol elevado, sedentarismo, tabagismo, sono ruim ou histórico familiar de doenças cardíacas.

Como a saúde mental afeta o coração?

Para entender a relação entre saúde mental e coração, pense no corpo diante de uma ameaça.

Quando você se sente pressionado, preocupado ou ansioso, o organismo entra em estado de alerta. Esse mecanismo prepara o corpo para reagir.

Nessa resposta, podem acontecer mudanças como:

  • aumento da frequência cardíaca;
  • elevação da pressão arterial;
  • respiração mais curta;
  • tensão muscular;
  • maior liberação de hormônios do estresse;
  • dificuldade para relaxar;
  • piora do sono.

Em momentos pontuais, essa reação pode passar sem maiores consequências.

Mas, quando o estresse se torna constante, o corpo passa a viver em alerta por tempo demais e o coração sente essa sobrecarga.

Nessa cartilha, o Brazilian Journal of Health Review publica uma revisão explicando a relação entre o estresse e o sistema cardiovascular.

Estresse passageiro é diferente de estresse prolongado

Nem todo estresse tem o mesmo peso para a saúde.

Um dia difícil no trabalho, uma discussão ou uma preocupação pontual podem acelerar o coração por alguns minutos ou horas. Depois, o corpo tende a voltar ao equilíbrio.

O problema é quando a tensão não passa.

Isso pode acontecer quando você vive sob pressão constante, dorme mal, trabalha sem descanso, cuida de muitas demandas ao mesmo tempo ou sente ansiedade frequente.

Nesses casos, a relação entre saúde mental e coração merece mais atenção.

O estresse prolongado pode contribuir para:

  • aumento ou descontrole da pressão arterial;
  • palpitações;
  • piora da qualidade do sono;
  • maior cansaço;
  • maior consumo de cigarro ou álcool;
  • alimentação menos equilibrada;
  • abandono da atividade física;
  • dificuldade de manter acompanhamento médico.

Ou seja, o impacto não vem apenas da emoção em si.

Ele também aparece nos hábitos que mudam quando a mente está sobrecarregada.

Ansiedade pode parecer problema no coração?

Sim, pode. Essa é uma das partes mais delicadas do tema.

A ansiedade pode causar sintomas físicos que se parecem com sintomas cardiovasculares. Por exemplo:

  • coração acelerado;
  • aperto no peito;
  • falta de ar;
  • tremores;
  • tontura;
  • suor frio;
  • sensação de desmaio;
  • formigamento;
  • medo intenso.

Em alguns casos, esses sintomas estão ligados a uma crise de ansiedade. Em outros, podem indicar uma alteração cardíaca. E também existe a possibilidade de as duas coisas coexistirem. Por isso, não é seguro fazer autodiagnóstico.

Dizer “é só ansiedade” pode atrasar a investigação de um problema cardíaco. Mas achar que todo sintoma é uma emergência cardíaca também pode aumentar ainda mais o medo. O caminho mais seguro é avaliar o contexto.

A frequência, a intensidade, os fatores de risco e a presença de outros sintomas ajudam o médico a entender o que precisa ser investigado.

Quando a relação entre saúde mental e coração merece avaliação?

A relação entre saúde mental e coração merece avaliação quando os sintomas são frequentes, intensos ou aparecem junto com fatores de risco cardiovascular.

Procure orientação médica se você apresenta:

  • palpitações frequentes;
  • dor ou aperto no peito;
  • falta de ar;
  • tontura;
  • desmaio;
  • pressão arterial alterada;
  • cansaço fora do normal;
  • piora dos sintomas durante esforço físico;
  • histórico familiar de infarto ou AVC;
  • diabetes;
  • colesterol alto;
  • tabagismo;
  • sedentarismo.

Também vale buscar avaliação se você já percebeu que o estresse ou a ansiedade estão afetando seu sono, sua alimentação, sua disposição ou sua rotina.

A Cardioprev já abordou em outro conteúdo como a exaustão emocional e saúde cardíaca podem se relacionar, especialmente quando o corpo começa a mostrar sinais de sobrecarga.

O que a pressão arterial tem a ver com estresse e ansiedade?

A pressão arterial pode subir em momentos de estresse, medo, raiva, ansiedade ou esforço. Isso não significa que toda elevação pontual seja hipertensão.

Mas, se a pressão aparece alterada com frequência, ela precisa ser acompanhada.

O estresse pode dificultar esse controle porque mantém o corpo mais ativado e, muitas vezes, piora hábitos importantes para a saúde cardiovascular.

Por exemplo:

  • você dorme pior;
  • se movimenta menos;
  • come com mais pressa;
  • aumenta o consumo de sal, açúcar ou ultraprocessados;
  • fuma mais;
  • deixa consultas e exames para depois.

Com o tempo, esse conjunto pode pesar no coração.

Por isso, quando falamos em saúde mental e coração, também precisamos falar em acompanhamento da pressão.

Em nosso artigo sobre pressão 12 por 8 passou a ser considerada pré-hipertensão explicamos por que fazer esse acompanhamento pode ajudar na prevenção.

Como cuidar da saúde mental e do coração no dia a dia?

Cuidar da saúde mental e coração não significa eliminar todo estresse da vida.

Isso seria impossível. O ponto é reduzir a exposição constante, melhorar hábitos e procurar ajuda quando os sinais começam a se repetir.

Alguns passos ajudam:

  • pratique atividade física com regularidade;
  • priorize o sono;
  • evite fumar;
  • reduza álcool em excesso;
  • mantenha uma alimentação equilibrada;
  • acompanhe sua pressão arterial;
  • faça pausas ao longo do dia;
  • observe sintomas recorrentes;
  • procure apoio psicológico quando necessário;
  • mantenha consultas médicas em dia.

A atividade física, por exemplo, pode ajudar tanto o coração quanto a saúde mental.

Mas, se você sente dor no peito, falta de ar, tontura, palpitações ou tem fatores de risco, o ideal é conversar com um médico antes de iniciar ou intensificar exercícios.

O que o cardiologista avalia nesses casos?

A avaliação cardiológica não serve para dizer que todo sintoma emocional é problema no coração. Ela serve para entender seu risco individual.

O cardiologista pode avaliar:

  • histórico pessoal;
  • histórico familiar;
  • pressão arterial;
  • colesterol;
  • glicemia;
  • sintomas;
  • rotina de sono;
  • nível de atividade física;
  • tabagismo;
  • uso de medicamentos;
  • necessidade de exames.

Nem todo mundo precisa fazer uma bateria de exames.

A consulta ajuda a definir o que faz sentido para cada pessoa.

Esse cuidado é importante porque duas pessoas com ansiedade podem ter riscos cardiovasculares muito diferentes.

Uma pode ser jovem, ativa e sem fatores de risco. Outra pode ter pressão alta, colesterol elevado, histórico familiar e sintomas durante esforço.

Por isso, a avaliação individual faz diferença.

Checklist: quando prestar mais atenção?

Procure avaliação se você percebe que:

  • o coração acelera com frequência;
  • a pressão aparece alterada repetidas vezes;
  • a ansiedade vem com falta de ar ou dor no peito;
  • o estresse está afetando seu sono;
  • você sente cansaço fora do comum;
  • sintomas aparecem durante atividade física;
  • você tem histórico familiar de doenças cardíacas;
  • você fuma ou já fumou;
  • você tem colesterol alto, diabetes ou pressão alta;
  • você está evitando investigar sintomas por achar que “é só emocional”.

A relação entre saúde mental e coração precisa ser vista com equilíbrio. Nem todo sintoma é sinal de doença cardíaca. Mas também nem todo sintoma deve ser explicado apenas pela ansiedade.

Na Cardioprev, você conta com avaliação cardiológica e exames quando indicados, sempre de acordo com seu histórico, sintomas e fatores de risco.

Se estresse, ansiedade, palpitações, pressão alterada ou cansaço frequente fazem parte da sua rotina, converse com nossa equipe.

Cuidar da saúde mental também é uma forma de cuidar do coração.

Agende uma avaliação na Cardioprev e cuide do seu coração com a atenção que ele merece. Sua saúde cardiovascular é nossa prioridade.

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