Mulher segurando cápsula ilustrando os riscos do uso de testosterona em mulheres

Testosterona em mulheres: riscos cardiovasculares que você precisa conhecer

O uso indiscriminado de testosterona em mulheres tem se tornado uma tendência perigosa, impulsionada por promessas de maior disposição, melhora da libido e manutenção do tônus muscular. Mas por trás dessas promessas aparentemente atrativas, esconde-se uma realidade alarmante: os riscos cardiovasculares graves que esse hormônio pode representar para a saúde do coração feminino.

Como cardiologistas, observamos com crescente preocupação o aumento de mulheres que chegam aos consultórios com alterações cardiovasculares relacionadas ao uso inadequado de hormônios. O que muitos não sabem é que a testosterona, quando utilizada sem indicação médica precisa, pode desencadear uma série de complicações que colocam a saúde cardíaca em risco real.

Para que serve a testosterona no corpo feminino?

A testosterona está presente naturalmente no organismo feminino, mas em níveis muito mais baixos que nos homens — aproximadamente uma proporção de 1 para 10. Este hormônio desempenha funções importantes no corpo da mulher, incluindo influência no desejo sexual, densidade óssea e massa muscular.

É importante compreender que o hormônio que sofre queda drástica na menopausa é o estrógeno, enquanto a testosterona declina de forma discreta e progressiva a partir da terceira década de vida. Esta diferença é fundamental para entender por que a reposição de testosterona raramente é necessária na maioria dos casos.

A médica endocrinologista Jacy Alves, especialista em endocrinologia, estilo de vida e obesidade, é categórica ao afirmar: “A utilização indiscriminada da testosterona em mulheres virou uma panaceia no Brasil”. Em sua prática clínica de onze anos, ela relata nunca ter precisado repor testosterona, pois normalmente os problemas estão associados a outros fatores.

Quando a testosterona é realmente indicada para mulheres?

Nenhuma sociedade médica aprova o uso de testosterona para fins estéticos, melhora de performance física ou prevenção de doenças. A única indicação reconhecida pelas entidades médicas é no tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) em mulheres na pós-menopausa — e mesmo assim, apenas após investigação criteriosa.

Antes da prescrição, é necessário um diagnóstico cuidadoso que leve em conta outros fatores que podem causar queda na libido, como o uso de medicamentos, doenças como hipotireoidismo, problemas renais, depressão ou questões ligadas ao relacionamento afetivo.

Quais os riscos cardiovasculares do uso indevido da testosterona em mulheres?

Os perigos cardiovasculares do uso inadequado de testosterona em mulheres são reais e preocupantes. Quando prescrita sem necessidade ou em doses elevadas, a testosterona pode desencadear uma cascata de problemas que afetam diretamente o sistema cardiovascular:

Alterações do colesterol e risco cardíaco

Um dos efeitos mais significativos é o aumento dos níveis de colesterol causado pela testosterona. Esta alteração pode gerar problemas cardiovasculares graves, incluindo maior risco de infarto do miocárdio e outras doenças coronarianas.

Hipertensão arterial

O uso de testosterona pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento da pressão alta, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. A hipertensão sobrecarrega o coração e aumenta significativamente o risco de eventos cardíacos graves.

Risco de trombose e AVC

O hormônio pode alterar a coagulação sanguínea, aumentando o risco de formação de coágulos. Isso eleva consideravelmente as chances de trombose venosa profunda, embolia pulmonar e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

Sobrecarga do sistema cardiovascular

A testosterona pode causar retenção de líquidos e aumento da massa muscular de forma não fisiológica, sobrecarregando o coração que precisa trabalhar mais para bombear sangue para um organismo em desequilíbrio hormonal.

O que dizem os especialistas sobre implantes hormonais não regulamentados?

A situação se torna ainda mais grave quando falamos dos implantes hormonais. A banalização do uso levou entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) a enviarem, no fim de 2023, uma carta à Anvisa pedindo maior controle sobre esses produtos.

No documento oficial, as entidades alertam que os implantes hormonais, com exceção do etonogestrel (Implanon) aprovado como anticoncepcional, não têm autorização da Anvisa para uso comercial ou produção industrial. “São manipulados, não possuem bula ou informações adequadas de eficácia e segurança. Os desfechos a longo prazo são desconhecidos”, destaca o texto.

Esta falta de regulamentação representa um risco adicional para a saúde cardiovascular das mulheres, que ficam expostas a produtos sem garantia de qualidade ou segurança comprovada.

Efeitos colaterais graves além dos cardiovasculares

Embora nosso foco seja a saúde do coração, é importante mencionar que o uso inadequado de testosterona em mulheres também pode causar:

  • Crescimento de pelos no rosto e no corpo
  • Acne severa e persistente
  • Queda de cabelo (alopecia androgenética)
  • Alteração irreversível da voz (engrossamento)
  • Mudanças no clitóris
  • Danos hepáticos

Alguns destes efeitos, como o engrossamento da voz, são irreversíveis mesmo após a interrupção do hormônio.

Causas reais da falta de desejo sexual em mulheres

Antes de considerar qualquer intervenção hormonal, é fundamental investigar as verdadeiras causas da diminuição da libido, que frequentemente não estão relacionadas à deficiência de testosterona:

Fatores hormonais: Deficiência de estrogênio, especialmente na menopausa, é muito mais comum que a deficiência de testosterona.

Questões emocionais: Transtornos como ansiedade e depressão têm impacto direto na saúde sexual.

Medicamentos: Diversos medicamentos podem reduzir a libido como efeito colateral.

Estilo de vida: Sobrepeso, obesidade, má qualidade do sono e estresse crônico afetam significativamente o desejo sexual.

Fatores relacionais: Problemas no relacionamento afetivo ou sexual, sobrecarga de trabalho, rotina doméstica excessiva, casamentos longos com pouco estímulo erótico.

A ginecologista e sexóloga Patrícia C. Nogueira reforça que muitas vezes a falta de desejo sexual pode estar relacionada a fatores como sobrecarga de trabalho, rotina doméstica, casamentos longos e pouco estímulo erótico, além de déficit de vitaminas, má qualidade do sono e outras alterações hormonais.

Mulher segurando cápsula ilustrando os riscos do uso de testosterona em mulheres

A importância do acompanhamento médico cardiovascular

Quando existe indicação real para reposição hormonal, o acompanhamento médico rigoroso é fundamental para monitorar os riscos cardiovasculares. A ginecologista Patrícia Nogueira alerta: “A paciente precisa ser reavaliada em 45 dias ou, no máximo, em até três meses, não pode sumir do consultório”.

Durante este acompanhamento, é essencial monitorar:

  • Níveis de colesterol e triglicerídeos
  • Pressão arterial
  • Função hepática
  • Marcadores de coagulação
  • Sinais de sobrecarga cardiovascular

A reposição hormonal, quando necessária, deve ser feita por tempo limitado — em média seis meses — com reavaliações frequentes e ajustes conforme a resposta individual de cada paciente.

Sua saúde cardiovascular não pode esperar

O coração feminino merece cuidado especializado e baseado em evidências científicas sólidas. O uso indiscriminado de hormônios como a testosterona em mulheres pode parecer uma solução rápida para questões complexas, mas os riscos cardiovasculares envolvidos são reais e podem ter consequências permanentes.

Na Cardioprev, nossos cardiologistas especializados compreendem as particularidades da saúde cardiovascular feminina em todas as fases da vida. Oferecemos avaliação completa para identificar riscos cardiovasculares relacionados ao uso de hormônios e orientamos estratégias seguras para preservar a saúde do seu coração.

Se você usa ou está considerando usar testosterona, ou se apresenta sintomas cardiovasculares que possam estar relacionados ao uso de hormônios, não hesite em buscar orientação médica especializada.

Agende sua consulta na Cardioprev e proteja seu coração com o cuidado que ele merece. Sua saúde cardiovascular é nossa prioridade, e a prevenção é sempre o melhor caminho.

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